segunda-feira, 13 de abril de 2009

Les nomades

Vista do barco, Oslo

Seremos nómadas?

"Tudo isso para que Marco Polo pudesse explicar ou imaginar explicar ou ser imaginado explicando ou finalmente conseguir explicar a si mesmo que aquilo que ele procurava estava diante de si, e, mesmo que se tratasse do passado, era um passado que mudava à medida que ele prosseguia a sua viagem, porque o passado do viajante muda de acordo com o itinerário realizado, não o passado recente ao qual cada dia que passa acrescenta um dia, mas um passado mais remoto. Ao chegar a uma nova cidade, o viajante reencontra um passado que não lembrava existir: a surpresa daquilo que você deixou de ser ou deixou de possuir revela-se nos lugares estranhos, não nos conhecidos.

Marco entra numa cidade; vê alguém numa praça que vive uma vida ou um instante que poderiam ser seus; ele podia estar no lugar daquele homem se tivesse parado no tempo tanto tempo atrás, ou então se tanto tempo atrás numa encruzilhada tivesse tomado uma estrada em vez de outra e depois de uma longa viagem se encontrasse no lugar daquele homem e naquela praça. Agora, desse passado real ou hipotético, ele está excluído; não pode parar; deve prosseguir até uma outra cidade em que outro passado aguarda por ele, ou algo que talvez fosse um um possível futuro e que agora é o presente de outra pessoa. Os futuros não realizados são apenas ramos do passado: ramos secos."


Ítalo Calvino - Cidades Invisíveis

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Suave coisa nenhuma

Desapareci.

Por uns tempos, saí no vento. Vim parar ao lado esquerdo do mundo. Umas últimas férias (será?) para quem passou o ano a correr o globo. Acabo aqui, de chinelo no pé e areia no cabelo.

Suco de acerola, cajá, "melância".
A cidade deserta do calor que estala, que sua.
Poeira vermelha que se levanta nas estradas.
E gente que dorme em colchões no alpendre, do calor que derrete a casa.
Portas abertas e um sambinha que abraça,
assim como os sorrisos
e os olhares que nos reconhecem.
A alegria de ser acarinhada sem esforço.
De viver sem horas,

ao ritmo das marés.

E muitos dias para gastar,
iguais ao ontem mas, ...mas felizes.


(em Pipa)

Ao som de - Secos e molhados - Amor (Conselho da Mariana)

quarta-feira, 25 de março de 2009

Quem cede, ganha

Santa Cruz

"Quem pensa em ser mais crédulo, se tem medo de ser enganado? Se o mundo é de enganos, por que não deixar que nos façam pirraças e troças? Ninguem quer ser parvo, e é pior: porque para não ser enganado, desonra-se como pessoa de lisura e sinceridade. Há mais cobardes em ser iludidos, do que em ir para a guerra. Quando os simples são afinal os mais poderosos e quem cede, ganha."


Agustina Bessa-Luís (prendinha da Raquel)

Porque me disseste para não deixar de ser "naive" neste mundo. É tão bom ter amigos que nos entendem melhor que nós mesmos...

Ao som de: Cottonflower - Moriarty

domingo, 22 de março de 2009

Reencontros

"Sê paciente; espera
que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto
ao passar o vento que a mereça."
Eugénio de Andrade

Aqui vivo o tempo dos reencontros.

Reecontros que têm a capacidade de despertar em mim todos os sentimentos e viver a dobrar, a triplicar. Feliz, triste, amo, choro, angustio, sorrio.

E entre tardes de sol, caminhos de estacas e barcos,
vento inspirado de cheiro a lodo
cabelos com areia e sal,

troco olhares com amigos antigos, com pessoas novas na minha vida, com coisas que contruí, e reencontro. Brotam conversas e gargalhadas, notas de música e abraços.

Nascem jantares com sabor a mar, fogo e estrelas, aprendem-se novas lições, acorda-se o passado, reflecte-se em acções, mudam-se rumos, traçam-se novos caminhos.

O mundo ainda tem a capacidade de me surpreender com o inesperado, com voltas trocadas aos sonhos.

No, regresso, ficam os reencontros.
Que me batem no coração como espadas,
acordam memórias
E me viram do avesso os sentimentos.
Expondo-me, frágil e rendida, ao meu novo mundo.

segunda-feira, 16 de março de 2009

É bom...

É bom estar em Portugal (por enquanto)!

Realmente, vivemos num cantinho abençoado.

Esplanadas à beira-mar, sol e cafés. Sabem bem estes dias que se deixam passar...

domingo, 15 de março de 2009

Dias em Troia


Há dias em que o passado nos cai nas mãos, como uma pedra
Há dias de espera,
Há dias que apenas passam como andorinhas,
E que amanhã nem sabem que existiram.

Há dias de sol, mar e gaivotas
Dia de ser a pessoa mais feliz do mundo, e sabê-lo

Há dias de lucidez
E de doce loucura
Dias de espanto
Dias de angústia
Dias de erro
Há dias e dias que constroem
E há dias de procura
Há dias que insistem em voltar, quando já se julgavam apagados
Há dias presentes em nós todos os dias.
E há dias que não acreditamos terem sido dias.

Há dias que apenas vivem no passado
E dias que nunca chegaram ser dias.

Há dias em que fomos reis e rainhas
Há dias de gritarmos o nosso nome bem alto
Há dias em que gritámos o nome de outro alguém.

Há dias de sentar à beira-mar e perder o tempo.
Procurar perguntas no fundo do mar.
Dias de casas azuis e brancas, e cegonhas.
Reencontrar o que se sonhou durante tanto momento.
O meu lugar para pensar.
A minha praia.

Há dias como o de hoje, apenas para ficar.

Há dias como o de hoje,
…compassos de espera entre ingénuas certezas…

domingo, 8 de março de 2009

A música faz-nos chegar mais perto

Quando o mundo em volta parece desabar, quando me sinto velhinha porque apenas me agarro a memórias, quando a escolha me angustia, quando já só sou relexo, quando não pude lutar, quando não pude ficar, estar lá para ajudar, quando penso que não consigo, quando anseio mais e desenho castelos de ar de pináculos e torres tão altas como céu! Quando ainda rodo o globo e aponto o dedo de olhos fechados, para onde irei morar! Quando já vi o pôr do sol. Quando já partilhei, amei, sorri. E é noite, é noite... Mas ainda me deixo ficar... porque não sei do amanhã!

Quando, apenas, não sei mais.... oiço.

e entre mim e todos as lutas humanas, restam umas notas pairando no ar.

Fleet Foxes - Blue Ridge Mountains Obrigada, Laurent, também mudaste :)

http://www.myspace.com/fleetfoxes